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Bom, me chamo Beatriz e tenho 25 anos. Tenho diabetes tipo 1 há 19 anos. Tempo pra caramba, mas nem tanto assim porque a minha vida ainda tá no começo. Quero cantar parabéns no meu aniversário de 80 anos de diabetes (isso se a cura não chegar antes, o que eu espero).

Descobri bem novinha, com 6 anos, e, segundo meus pais, foi uma época bem conturbada. Meus pais estavam se divorciando e tínhamos acabado de perder uma prima repentinamente pro câncer.

Como não tenho ninguém na família que tenha diabetes tipo 1 ou qualquer doença autoimune (não que eu saiba...), acredito que desencadeei a doença por conta dos problemas emocionais que estava passando (acredito que traumas emocionais podem ajudar a desencadear doenças). 

Eu não me lembro, mas acredito que no começo eu não aceitei. Imagina, com 6 aninhos de idade ser a única criança da escola que precisa medir a glicemia e aplicar insulina? Precisei de ajuda psicológica para conseguir lidar bem com a situação.

Com o tempo, apoio da família e amigos eu fui acostumando aos poucos com a ajuda de um anjo que foi a minha médica, Dra Solange Travassos. A ficha caiu 100% quando fiz um exame de sangue que comprovava que eu não produzia mais nada de insulina. ZERO. Desse dia eu lembro bem: meus pais tentando convencer a médica de que eu podia reverter a situação com o tempo.. que eu ia fazer tudo certinho... Mas sabemos que não tem volta. Não se reverte Diabetes Tipo 1. O jeito é aceitar que dói menos.

Com o passar dos anos tive meus altos e baixos, sempre com a ajuda da minha mãe e do meu pai no controle. Várias broncas pelos potes de nutella escondidos dentro do armário(normal rsrs), alguns sustos e muitas horas no telefone com a médica. Usava Lantus e Novorapid e minha glicada era entre 7 e 8.

Em 2006, eu então com 12 anos, decidi a usar bomba de insulina porque estava com dificuldades de controlar por conta da puberdade. Sempre fui uma pessoa bem resolvida e nunca tive vergonha de medir e aplicar insulina na frente dos outros, graças aos meus pais, que nunca deixaram que eu me sentisse anormal. Com a bomba não foi diferente. Me adaptei rápido àquele dispositivo milagroso na época e a glicada rapidinho caiu.

 

Quando fiz 15 anos, comecei a ficar chatinha com tudo.. Esquecia de medir, não queria aplicar insulina pra tudo que comia (mesmo sendo só apertar uns botões na bomba), comia muita besteira e estava ''nem aí''. É claro que não deixava de aplicar insulina, porque eu era (e sou) muito cagona com tudo e tinha muito medo de ir pro hospital.. então eu aplicava, mas tudo errado, sem contagem. Resultado: Descontrole. Glicada quase 9! Minha médica chorou neste dia comigo no consultório. Perguntou porque eu estava agindo daquela maneira e eu só soube ''dar de ombros'' como resposta.

 

*Vale ressaltar que em 16 anos de diabetes, eu NUNCA precisei ser hospitalizada por conta da diabetes. Nem mesmo no dia em que descobrimos. Sempre consegui reverter a situação com calma e com a médica do outro lado da linha nos dizendo o que fazer.*

 

Meus 16 e 17 anos foram mais ou menos a mesma coisa, com o plus do álcool. Nunca fui de encher a cara. Eu gostava de ir pras festas, beber um pouquinho e socializar, como qualquer outra adolescente. Só que eu não fazia o essencial: controlar a glicemia antes e depois de beber. E comecei a ter muitas hipos e hipers. Eu me achava ''rebelde'', mas não era tão rebelde assim. Ainda tinha um pingo de responsabilidade, pelo menos saía com açúcar e glicosímetro na bolsa. Só não costumava usar sempre...

 

Quando entrei pra faculdade aos 18 anos, o trem começou a andar pro lado certo. Eu simplesmente tive um estalo e comecei a medir mais a glicemia, a tentar aplicar a correção mais certa, a de fato contar os carboidratos como deveriam ser contados e sem chutar.

Claro que teve dias que eu simplesmente não tava afim. Assim como tenho esses dias até hoje! Mas importante nesses dias é: controlar o básico (medir antes de comer e corrigir mais ou menos).

 

Conheci o meu namorado no primeiro período da faculdade. E digo pra todo mundo que ele foi o responsável pelo ''estalo''. E meus exames comprovam isso. Antes de conhecê-lo, minha glicada era 8,3. com 1 ano de namoro a glicada era 7,5. Hoje, com quase 5 anos de relacionamento, está 6,2. Há 2 anos ela oscila entre 6,2 e 6,6. Ele inspira e me faz querer eu me cuidar mais, me faz querer viver mais!

Atualmente estou numa vibe saudável, praticando atividades físicas regularmente e comendo alimentos naturais. Nunca me senti tão bem comigo mesma! Sinto que tenho energia para correr muitas maratonas nessa vida que está em constante aprendizado e mudanças. 

 

Hoje, olhando pra trás, vejo que tudo na vida são fases. E os problemas se resolvem com o tempo. Consigo enxergar hoje que tudo que aconteceu comigo (bom ou ruim) serviu para algum propósito e para me tornar quem eu sou. Serviu para me moldar e me fortalecer. E arrisco dizer que não mudaria NADA. 

Não tenho raiva de ter diabetes. Não mesmo. Não nego que corta meu coração quando vejo que tá descontrolado por algum motivo. Ao invés de gritar, espernear e reclamar, eu sento num canto e choro quietinha rs Pois é, sou uma chorona! É assim que eu ponho pra fora os meus sentimentos. 

Hoje sou uma mulher formada em Relações Públicas, estudante de biomedicina, bem resolvida, animada e com a alma feliz! Faço tudo o que quero e não aceito não como resposta (é clichê mas é a verdade). Não deixo que ditem como devo agir em relação à minha doença e neste último ano fiz tanta pesquisa na área que minha médica cansa de responder tantas perguntas!

 

Portanto, pesquisem, se conheçam e acima de tudo: Sejam felizes! A vida é curta e não adianta sentar e reclamar dos problemas... Eles vão deixar de ser problemas um dia, então porque ficar perdendo o seu tempo precioso com eles?

 

Então é por isso que eu digo: Você pode e DEVE ser feliz com a Diabetes!