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Diabetes na escola: minha experiência e dicas de como lidar

Escrevo este texto em homenagem ao Colégio Antares, que cuidou de mim praticamente como filha por 8 anos. À tia Marisa, tia Zitinha, tio Alan, tia Pati, tia Adriana, entre outros.


São mais de 30 mil crianças com diabetes tipo 1 no Brasil e grande parte das escolas ainda não está educada o suficiente sobre a condição. Acredita?


O diagnóstico de diabetes em uma criança traz diversas preocupações para os pais, já que a condição, que ainda não tem cura, precisa ser controlada diariamente. E no dia a dia as crianças estão na escola, longe de casa, então eles vão ajudá-la na aplicação da insulina, na verificação da glicemia ou no controle de uma hipoglicemia ou hiperglicemia?


É ai que entra a importância da educação em diabetes tipo 1 nas escolas, que ajuda não só no controle diário, mas também na aceitação da criança diante do diagnóstico.

Hoje, o Brasil tem cerca de 30.900 crianças com diabetes tipo 1 e ocupa o 3º lugar no ranking de países com mais crianças diabéticas, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e da Índia. Porém, mesmo com esses dados, muitas escolas ainda não estão preparadas para lidar com essas crianças e não há nenhuma norma estabelecida que as obrigue a tomar qualquer providência a cerca do assunto. Infelizmente!

Entenda a seguir mais detalhes sobre Educação em Diabetes tipo 1 nas escolas e a sua importância!


O que é a Educação em Diabetes tipo 1 nas escolas?


As crianças com diabetes tipo 1 precisam de controle diário da condição e como estão boa parte do tempo na escola, é necessário ajuda para lidar no tratamento. Nesse sentido é que as escolas e todo o seu corpo docente precisam estar preparados para acompanhar essa criança e, para isso, é essencial ter conhecimento sobre o que é diabetes tipo 1, hiperglicemia, hipoglicemia, monitoramento das glicemias e também como ajudar a criança em situações emergenciais.

Existem alguns materiais que podem ajudar as escolas a se educarem em relação o diabetes tipo 1. Um deles é o “Programa Kids – Diabetes in Schools”, desenvolvido pela ADJ – Diabetes Brasil em parceria com a International Diabetes Federation. O material, que também é conhecido como “Pacote Educativo para informar sobre Diabetes nas Escolas” é aprovado pelo Ministério da Saúde, pela Sociedade Brasileira de Diabetes e pela Sociedade Brasileira de Pediatria. Acesse o material, de forma gratuita, através do site www.idf.org/education/kids.


Mas, qual a importância da Educação em Diabetes tipo 1 nas escolas?


A educação em diabetes tipo 1 nas escolas é importante e essencial para a criança com a condição, já que ajuda no controle diário e seguro do diabetes, mas também a desmitificar a condição, evitar casos de bullying, orientar alunos e país sobre a prevenção do diabetes e da obesidade, entre outros.

Enfim, educadores possuem a função de ajudar e dar aos alunos recursos de aprendizagem para que atinjam o seu potencial, não é mesmo? E diante de uma criança com diabetes a escola precisa ser educada em relação à condição, para que consiga dar recursos e ferramentas para ela se sentir acolhida, segura, incluída e incentivada a se desenvolver.


Relacionamento entre pais/responsáveis pela criança e professores

O primeiro passo dos pais e responsáveis pela criança em relação à escola é ter uma conversa sobre o tratamento e a rotina seguidos. É necessário falar sobre doses de insulina, grau de controle do diabetes, se a criança está tendo freqüentemente hipoglicemias, de quanto em quanto tempo deve se alimentar, o que a escola deve fazer em caso de emergência e qual medicamento de segurança é necessário que esteja disponível, entre outros.

Nesse processo de educar as escolas em relação ao diabetes tipo 1, se os pais ou responsáveis pela criança manterem um relacionamento saudável com os professores também ajuda muito. Lembre-se que as escolas que são educadas para o diabetes tipo 1 podem ajudar muito as crianças com diabetes, já que funcionam como uma rede de apoio para que a criança se sinta segura e confortável no ambiente escolar, que é tão importante para o seu desenvolvimento.

A educação das escolas em relação ao diabetes tipo 1 é uma questão fundamental e que precisa ser discutida com mais freqüência e peso, pois é muito relevante para que a criança consiga se desenvolver e aceitar o seu diagnóstico e tratamento da melhor maneira possível.


Minha experiência

Com a tia Adriana e minhas amigas Victoria e Mariana na sala de aula

Fui diagnosticada com diabetes tipo 1 aos 6 anos, no período da alfabetização. Tive sorte do diagnóstico não prejudicar meu desempenho escolar, porque as glicemias altas podem afetar na capacidade de aprendizado. Sabia disso? A escola em que estava matriculada foi super solícita e responsável quando meus pais informaram o meu novo quadro de saúde. Estava quase no final do ano e terminei normalmente. No ano seguinte, resolvemos nos mudar de bairro e consequentemente, de escola. Meus pais receberam uma boa indicação dos meus padrinhos e fomos visitá-la. Logo na entrevista, meus pais e eu nos sentimos confortáveis com a forma como a diretora e os professores lidaram com a situação. Em 2001, não era comum o diagnóstico de diabetes tipo 1, então pouquíssimas pessoas já haviam ouvido falar sobre o assunto ''diabetes em crianças''. Mas isso não impediu que a escola estudasse a respeito para que pudessem cuidar de mim da melhor forma. Meus pais deram diversas aulas aos professores, diretores e todas as pessoas que teriam contato comigo sobre a minha condição de saúde. Explicaram sobre os meus horários de refeição, como aplicar insulina, como medir a glicemia, os sintomas que eu poderia ter, acreditar quando eu dissesse que não estava bem, e acima de tudo, que eu não poderia ser tratada como uma criança diferente.


[2001] Comemorando meu aniversário de 8 anos na escola, com um pouco mais de 1 ano de diagnóstico. Ps: nada ali era diet (talvez só o refrigerante). Fazíamos uma ''''contagem de carboidratos'''' pra eu não me sentir diferente de ninguém.

Fiquei do 1º ao 8º ano nesta escola. Foi uma experiência de amor inesquecível. Lembro com perfeição de diversos momentos divertidos lá. De quando, por exemplo, faziam rodinha para me ver aplicando insulina ou para conhecer a bomba de insulina. Participei de todos os passeios possíveis, e foi só no ano passado que descobri que minha mãe ia junto, escondida, pra auxiliar, caso necessário.

Todos na escola sabiam que eu tinha diabetes mas ninguém nunca me tratou diferente. Tinham os cuidados necessários mas não era prejudicada de nenhuma forma. E é assim que tem que ser. O diabetes é uma doença séria? É. Tem riscos? Tem. Mas não é por conta dessas questões que a pessoa precisará viver em uma bolha! Com responsabilidade e planejamento, há possibilidade de vida feliz e de conquistar sonhos. <3



*Outros materiais interessantes sobre Educação em Diabetes tipo 1 nas escolas:

- Manual com diretrizes para professores de crianças com diabetes:

https://debemcomavida.accuchek.com.br/media/14152/guia_dbcv_professores_a4.pdf

- Canal no Youtube da ADJ Diabetes Brasil, com diversos vídeos que falam sobre Educação em Diabetes nas Escolas:

https://www.youtube.com/channel/UCj5rxMlBYLDiRSVdy2FprMA/videos


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Bia é empresária, formada em Relações Públicas, estuda Biomedicina e convive com diabetes tipo 1 desde os 6 anos. Em 2015, criou o Biabética para incentivar pessoas com diabetes a verem a vida doce de forma mais leve e positiva.

O conteúdo deste site não se destina a ser um substituto para aconselhamento médico profissional, diagnóstico ou tratamento.

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