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Diabulimia e Diabetes Duplo

Atualizado: 3 de Jul de 2019



O artigo abaixo foi traduzido do link: http://lyfebulb.com/2017/04/06/can-solve-food-related-addictions-retraining-gut-crave-healthy-food/

É possível solucionar maus hábitos alimentares com uma reeducação para termos desejo por comidas saudáveis?

''Comida faz parte da vida, não podemos sobreviver sem nos alimentarmos. Mas para aqueles com problemas de vícios alimentares, isto torna-se um problema. A comida tem um papel importante nos eventos familiares, culturas e feriados religiosos, e para muitos uma boa refeição os torna mais felizes. Conviver com o diabetes significa ter que aplicar insulina, ingerir remédios orais e monitorar os níveis de glicemia cuidadosamente. No entanto, para todos os tipos de diabetes, a alimentação tem um papel muito importante na glicemia e na quantidade de insulina a ser aplicada para fazer a correção. Para estes indivíduos, a alimentação não é apenas a nutrição necessária para sobreviver ou um momento de felicidade, e sim um importantíssimo ingrediente no tratamento do diabetes. Muitas culturas expressam o amor através da comida e quando alguém diz não para o amor, esta pessoa pode vir a sofrer as consequências, independente de qual seja o motivo. Uma pessoa que controla sua alimentação pode ser vista como alguém tenso ou não divertido. Negar um prato não saudável pode gerar reações fortes, principalmente se a pessoa que está servindo a comida não souber da condição de saúde da outra pessoa. Ainda pior é o fato de que a comida que deveria te fazer forte e feliz é a mesma que se torna um veneno para você e você não pode nem comer pequenas porções. É desta forma que uma desordem alimentar nasce. Para uma pessoa com diabetes, mais de 200 decisões extras precisam ser tomadas no dia a dia e ainda assim existem outros problemas que podem surgir mesmo que todas estas decisões sejam corretas. Uma ação que pode ser controlada é restringir a alimentação, pois eliminando a tentação, o risco de falha torna-se menor e para um diabético, falha significa sofrer consequências a longo prazo como por exemplo desmaiar por causa de uma hipo ou perder a visão e a função do rim por causa de uma hiper. Eu restringi a quantidade de carboidratos ingeridos por diversos anos a ponto de diminuir drasticamente a aplicação de insulina e nunca ter que me preocupar com hipos e hipers. Se você não comer carboidratos e não aplicar grandes quantidades de insulina a glicemia se torna estável mas seu corpo passa a sofrer pela falta de energia. Isto ainda não se trata de diabulimia mas vem a causar perda de peso e uma enorme fixação por comida. Diabulimia é um transtorno alimentar onde o indivíduo aplica menos insulina do que precisa com o objetivo de perder peso. A transição para a diabulimia total é perigosa e muitas vezes acontece como uma progressão "natural" da restrição, principalmente quando a tentação por comida for grande e a pessoa ingerir carboidratos sem aplicar a devida insulina para correção. Desta forma você está evitando hipos mas as hipers se tornam mais constantes e isso é algo muito ruim em longo prazo. O oposto acontece quando a pessoa come o que quiser e mantém a glicemia sob controle aplicando uma dose muito grande insulina. Isso pode causar algo conhecido como "diabetes dupla", que faz com que a pessoa fique resistente à insulina tornando-a diabética tipo 2 quando ela já possui o diabetes tipo 1. Infelizmente isso vem se tornando muito comum graças a facilidade de aplicar insulina através de bombas ou canetas, e também à atitude "politicamente correta" de não restringir a alimentação de jovens pacientes, geralmente aplicada por médicos e pais. Então como podemos evitar a diabulimia e a diabetes dupla? Eu acredito em treinar o corpo para passar a gostar de comidas saudáveis e também nutritivas. Como mencionei anteriormente, comida é essencial para a vida e também pode ser um prazer na vida. O relacionamento entre o nosso sistema nervoso e gastrointestinal (alimentar) está ficando cada vez mais conhecido e eu acredito que se o sistema gastrointestinal for exposto a uma dieta de baixo açúcar, baixo carboidrato, mas de bastante fibra, proteína e ingredientes com gordura ‘’boa’’, nosso microbioma começará a se acostumar com esse tipo de alimentação e o nosso cérebro se sentirá feliz e satisfeito com comidas que não são um gatilho para a compulsão, picos de glicose e sentimentos de culpa. A pesquisa focada no microbioma é muito interessante para mim. As células que vivem no nosso sistema gastrointestinal parecem determinar o tipo de comida que desejamos, sendo magros ou acima do peso, e há chances de serem parte da causa de doenças autoimunes, como a Doença Inflamatória Intestinal, Esclerose Múltipla e Diabetes Tipo 1.

Nossas atitudes devem ser: 1: Parar de julgar pessoas por manterem dietas saudáveis. Pois é um sinal de força, disciplina e vontade de sobreviver. 2: Ficar atento aos sinais de diabulimia: diabéticos com dependência por insulina e com um péssimo controle glicêmico que admitem, sob pressão, estarem tomando pouca insulina para ficarem magras. 3: Não encorajar a diabetes dupla: quando somos diagnosticados com T1D, não podemos comer tudo que queremos. Isto é um fato e uma oportunidade de sermos mais saudáveis do que nossos colegas. 4: Aprender e entender quais alimentos são bons para você e o que o seu corpo gosta. Mantenha esta dieta por um tempo e vai passar a gostar dela, não por querer, mas porque seu sistema de relação "cérebro-estômago" vai ser reeducado e vai passar a pedir por salmão grelhado com champingnon ao invés de macarrão com molho cremoso!''


Karin Hehenberguer

MD, PhD

Medicina Molecular e Biotecnologia

Expert em Diabetes

#diabulimia #diabetes #diabetesduplo #diabetestipo1

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Bia é empresária, formada em Relações Públicas, estuda Biomedicina e convive com diabetes tipo 1 desde os 6 anos. Em 2015, criou o Biabética para incentivar pessoas com diabetes a verem a vida doce de forma mais leve e positiva.

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