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Rapel com a Bomba de Insulina
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Pôr do sol mais emocionante da vida
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com meu tipo 3
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14/11/2017
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Amor

Quem é a Bia?

Me chamo Beatriz e ajudo pessoas que convivem com o diabetes a aceitarem e entenderem melhor a sua própria condição, evitando complicações do diabetes a longo prazo. Sou Comunicadora em Diabetes, formada em Relações Públicas e estudo Biomedicina. Tenho diabetes tipo 1 há desde os 6 anos. Trabalho como Gerente de Conteúdo & Comunidade de Diabetes em uma insurtech que criou uma solução especial para quem tem diabetes e deseja comprar seguro de vida.

 

Minha história com o diabetes começou cedo

Descobri o diabetes bem nova, com 6 anos, e, segundo meus pais, foi uma época bem conturbada. Eles estavam se divorciando e tínhamos acabado de perder uma prima repentinamente para o câncer.

Não tenho ninguém na família que tenha diabetes tipo 1 ou qualquer doença autoimune e acredito que desenvolvi o quadro de diabetes por conta do estresse passado no período. O que se sabe é que existem alguns pacientes com predisposição genética para o desenvolvimento de doenças autoimunes e que, quando algum fator desencadeante é acionado, o quadro da doença autoimune se manifesta. Nessa lista temos: vírus, microbiota intestinal, hormônios, toxinas, medicamentos e até mesmo ansiedade e estresse
 

Eu não me lembro como foi na época, mas sei que precisei de ajuda da psicoterapia para conseguir lidar bem com a situação, além do apoio da família e amigos.

Com o tempo, fui me acostumando com a ajuda de um anjo que foi a minha médica, Dra Solange Travassos. A ficha caiu alguns anos depois quando fiz um exame de sangue que comprovou que meu pâncreas não produzia mais nada de insulina. ZERO. Desse dia eu lembro bem: meu pai tentando convencer a Dra Solange de que eu podia reverter a situação com o tempo.. que eu ia fazer tudo certinho. Mas sabemos que não tem volta. Não se reverte Diabetes Tipo 1. O jeito é aceitar que dói menos.

Com o passar dos anos tive meus altos e baixos, sempre com a ajuda da minha mãe e do meu pai no cuidado. Várias broncas pelos potes de Nutella escondidos dentro do armário, alguns sustos e muitas horas no telefone com a médica. Usava Lantus e Novorapid e minha glicada era entre 7 e 8.

Em 2006, eu então com 12 anos, decidi a usar bomba de insulina porque estava com dificuldades de cuidar da glicemia por conta dos hormônios da puberdade. Sempre fui uma pessoa bem resolvida e nunca tive vergonha de medir e aplicar insulina na frente dos outros, graças aos meus pais, que nunca deixaram que eu me sentisse anormal. Com a bomba não foi diferente. Me adaptei rápido àquele dispositivo milagroso que sempre me ajudou muito.

 

Quando fiz 15 anos, comecei a ficar meio rebelde. Esquecia de medir, comia muita besteira e não estava ''nem aí''. É claro que não deixava de aplicar insulina, porque eu sempre tive medo de precisar ir ao hospital, então quando ficava crítico (acima de 250mg/dL), eu tomava uma atitude. Resultado: Descontrole. Glicada quase 9! Minha médica chorou neste dia comigo no consultório. Perguntou porque eu estava agindo daquela maneira e eu só soube ''dar de ombros'' como resposta.

 

*Vale ressaltar que em 16 anos de diabetes, eu NUNCA precisei ser hospitalizada por conta da diabetes. Nem mesmo no dia em que descobrimos. Sempre consegui reverter as situações em casa, com calma e com a médica do outro lado da linha nos dizendo o que fazer.*

 

Meus 16 e 17 anos foram parecidos com os 15, acrescentando as festas e o álcool. Nunca fui de beber muito. Eu gostava de ir paras festas, beber um ou dois drinks e socializar, como qualquer outra adolescente. Só que eu não fazia o essencial: medir a glicemia antes e depois de beber. E comecei a ter muita instabilidade glicêmica. Eu me achava ''rebelde'', mas não era tão rebelde assim. Ainda tinha um pingo de responsabilidade e pelo menos saía com açúcar e glicosímetro na bolsa. Só não costumava usar sempre.

 

Quando entrei pra faculdade aos 18 anos, algo começou a mudar para melhor. Meus pais me deram mais autonomia e diminuíram a frequência de perguntar como estava a glicemia. Costumava receber inúmeras ligações por dia e não aguentava mais. Eles resolveram me ''deixar sozinha'' com o meu diabetes e depois de um tempo eu tive um estalo. Comecei a medir mais a glicemia, a tentar aplicar a correção mais certa, a de fato contar os carboidratos como deveriam ser contados e sem chutar. Claro que teve dias que eu simplesmente não tava afim. Assim como tenho esses dias até hoje! O mais importante nesses dias é: fazer o básico. Medir antes de comer e corrigir para evitar hiper.

 

A melhor coisa que poderia acontecer, aconteceu!

Conheci o meu namorado no primeiro período da faculdade. E digo pra todo mundo que ele foi o responsável pelo ''estalo''. E meus exames comprovam isso. Antes de conhecê-lo, minha glicada era 8,3%. Com um ano de namoro minha glicada era 7,5%. Hoje, com 7 anos de relacionamento, está 6,8%. Há alguns anos ela oscila entre 6,2 e 6,9. Ele me inspira a eu me cuidar mais, me faz querer viver bem e saudável!

Hoje eu me esforço para praticar atividades físicas regularmente (não curto muito, mas ajuda bastante no tratamento) e tento me alimentar de forma balanceada, preferindo alimentos que não dão pico na glicemia. Nunca me senti tão bem comigo mesma! Sinto que tenho energia para correr muitas maratonas nessa vida que está em constante aprendizado e mudanças. 

 

''Como um girassol, de costas pro escuro e de frente pra luz'' 

Hoje, olhando pra trás, vejo que tudo na vida são fases. E os problemas se resolvem com o tempo. Consigo enxergar hoje que tudo que aconteceu comigo serviu para algum propósito e para me tornar quem eu sou. Serviu para me moldar e me fortalecer. E arrisco dizer que não mudaria NADA. 

Não tenho raiva de ter diabetes. Não nego que corta meu coração quando vejo que não estou conseguindo cuidar como gostaria, que está descontrolado por algum motivo além de mim. Ao invés de gritar, espernear e reclamar, eu respiro fundo e penso que vai passar. Porque tudo passa. O tempo é o melhor remédio para tudo! 

Sou uma mulher formada em Relações Públicas, estudante de biomedicina, bem resolvida, animada e com a alma feliz! Sou mamãe de uma gatinha linda e descobri que sou catlover total. Faço tudo o que quero e não aceito não como resposta (é clichê mas é a verdade). Não deixo que ditem como devo agir em relação à minha condição de saúde e nos últimos anos fiz tanta pesquisa na área que poderia escrever um livro!

Ter amigos com diabetes também ajuda muito. Depois que criei o Biabética, conheci pessoas maravilhosas que tenho orgulho de considerar minha grande família azul. Eles me inspiram todos os dias a continuar com o blog, a continuar me cuidando e o melhor de tudo, é que eles entendem exatamente o que estou passando. Eles passam pelas mesmas situações que eu todos os dias. Temos um laço inexplicável. 

Portanto, pesquise, se conheça e acima de tudo: Seja feliz! A vida é curta e não adianta sentar e reclamar dos problemas... Eles vão deixar de ser problemas um dia, então porque ficar perdendo o seu tempo precioso com eles?

 

Então é por isso que eu digo: Você pode ser feliz com o Diabetes!

O conteúdo deste site não se destina a ser um substituto para aconselhamento médico profissional, diagnóstico ou tratamento.

Nosso conteúdo serve para seu conhecimento e informação. Em caso de dúvida, procure sempre um médico para orientação.
 

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