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Quem é a Bia?

Me chamo Beatriz e tenho 26 anos. Sou comunicadora em diabetes e estudante de biomedicina. Tenho diabetes tipo 1 há 19 anos. Trabalho como Gerente de Conteúdo & Comunidade em uma startup de seguros que criou uma solução especial para quem tem diabetes e deseja comprar seguro de vida.

 

Minha história com o diabetes começou cedo

Descobri bem novinha, com 6 anos, e, segundo meus pais, foi uma época bem conturbada. Meus pais estavam se divorciando e tínhamos acabado de perder uma prima repentinamente para o câncer.

Não tenho ninguém na família que tenha diabetes tipo 1 ou qualquer doença autoimune e acredito que desenvolvi o quadro de diabetes por conta dos problemas emocionais que estava passando (ainda não foi comprovado cientificamente, mas acredito que traumas emocionais podem ajudar a desencadear doenças). 

Eu não me lembro, mas penso que no começo não aceitei. Quem aceita de primeira? Imagina, com 6 anos de idade ser a única criança da escola que precisa medir a glicemia e aplicar insulina? Precisei de ajuda da psicoterapia para conseguir lidar bem com a situação.

Com o tempo, apoio da família e amigos fui me acostumando aos poucos com a ajuda de um anjo que foi a minha médica, Dra Solange Travassos. A ficha caiu 100% alguns anos depois quando fiz um exame de sangue que comprovou que meu pâncreas não produzia mais nada de insulina. ZERO. Desse dia eu lembro bem: meu pai tentando convencer a Dra Solange de que eu podia reverter a situação com o tempo.. que eu ia fazer tudo certinho. Mas sabemos que não tem volta. Não se reverte Diabetes Tipo 1. O jeito é aceitar que dói menos.

Com o passar dos anos tive meus altos e baixos, sempre com a ajuda da minha mãe e do meu pai no controle. Várias broncas pelos potes de Nutella escondidos dentro do armário, alguns sustos e muitas horas no telefone com a médica. Usava Lantus e Novorapid e minha glicada era entre 7 e 8.

Em 2006, eu então com 12 anos, decidi a usar bomba de insulina porque estava com dificuldades de controlar a glicemia por conta dos hormônios da puberdade. Sempre fui uma pessoa bem resolvida e nunca tive vergonha de medir e aplicar insulina na frente dos outros, graças aos meus pais, que nunca deixaram que eu me sentisse anormal. Com a bomba não foi diferente. Me adaptei rápido àquele dispositivo milagroso na época e o controle melhorou bastante.

 

Quando fiz 15 anos, comecei a ficar aborrescente. Esquecia de medir, não queria aplicar insulina pra tudo que comia (mesmo sendo só apertar uns botões na bomba), comia muita besteira e não estava ''nem aí''. É claro que não deixava de aplicar insulina, porque eu sempre tive medo de precisar ir ao hospital, então quando ficava crítico (acima de 250mg/dL), eu tomava uma atitude. Resultado: Descontrole. Glicada quase 9! Minha médica chorou neste dia comigo no consultório. Perguntou porque eu estava agindo daquela maneira e eu só soube ''dar de ombros'' como resposta.

 

*Vale ressaltar que em 16 anos de diabetes, eu NUNCA precisei ser hospitalizada por conta da diabetes. Nem mesmo no dia em que descobrimos. Sempre consegui reverter as situações em casa, com calma e com a médica do outro lado da linha nos dizendo o que fazer.*

 

Meus 16 e 17 anos foram parecidos com os 15, acrescentando as festas e o álcool. Nunca fui de beber muito. Eu gostava de ir paras festas, beber um ou dois drinks e socializar, como qualquer outra adolescente. Só que eu não fazia o essencial: controlar a glicemia antes e depois de beber. E comecei a ter muita instabilidade glicêmica. Eu me achava ''rebelde'', mas não era tão rebelde assim. Ainda tinha um pingo de responsabilidade e pelo menos saía com açúcar e glicosímetro na bolsa. Só não costumava usar sempre.

 

Quando entrei pra faculdade aos 18 anos, algo começou a mudar para melhor. Meus pais me deram mais autonomia e diminuíram a frequência de perguntar como estava a glicemia. Recebia inúmeras ligações por dia e não aguentava mais. Eles resolveram me ''deixar sozinha'' com o meu diabetes e depois de um tempo eu tive um estalo. Comecei a medir mais a glicemia, a tentar aplicar a correção mais certa, a de fato contar os carboidratos como deveriam ser contados e sem chutar. 

Claro que teve dias que eu simplesmente não tava afim. Assim como tenho esses dias até hoje! O mais importante nesses dias é: fazer o básico. Medir antes de comer e corrigir para evitar hiper.

 

A melhor coisa que poderia acontecer, aconteceu!

Conheci o meu namorado no primeiro período da faculdade. E digo pra todo mundo que ele foi o responsável pelo ''estalo''. E meus exames comprovam isso. Antes de conhecê-lo, minha glicada era 8,3%. Com um ano de namoro minha glicada era 7,5%. Hoje, com 7 anos de relacionamento, está 6,8%. Há alguns anos ela oscila entre 6,2 e 6,9. Ele me inspira a eu me cuidar mais, me faz querer viver mais!

Hoje eu pratico atividades físicas regularmente e tento me alimentar de forma balanceada, preferindo os alimentos integrais para não dar pico na glicemia. Nunca me senti tão bem comigo mesma! Sinto que tenho energia para correr muitas maratonas nessa vida que está em constante aprendizado e mudanças. 

 

''Como um girassol, de costas pro escuro e de frente pra luz'' 

Hoje, olhando pra trás, vejo que tudo na vida são fases. E os problemas se resolvem com o tempo. Consigo enxergar hoje que tudo que aconteceu comigo serviu para algum propósito e para me tornar quem eu sou. Serviu para me moldar e me fortalecer. E arrisco dizer que não mudaria NADA. 

Não tenho raiva de ter diabetes. Não nego que corta meu coração quando vejo que não estou conseguindo cuidar como gostaria, que está descontrolado por algum motivo além de mim. Ao invés de gritar, espernear e reclamar, eu respiro fundo e penso que vai passar. Porque tudo passa. O tempo é o melhor remédio para tudo! 

Sou uma mulher formada em Relações Públicas, estudante de biomedicina, bem resolvida, animada e com a alma feliz! Sou mamãe de duas gatinhas lindas e descobri que sou catlover total. Faço tudo o que quero e não aceito não como resposta (é clichê mas é a verdade). Não deixo que ditem como devo agir em relação à minha condição de saúde e nos últimos anos fiz tanta pesquisa na área que poderia escrever um livro!

Ter amigos com diabetes também ajuda muito. Depois que criei o Biabética, conheci pessoas maravilhosas que tenho orgulho de considerar minha grande família azul. Eles me inspiram todos os dias a continuar com o blog, a continuar me cuidando e o melhor de tudo, é que eles entendem exatamente o que estou passando. Eles passam pelas mesmas situações que eu todos os dias. Temos um laço inexplicável. 

Portanto, pesquise, se conheça e acima de tudo: Seja feliz! A vida é curta e não adianta sentar e reclamar dos problemas... Eles vão deixar de ser problemas um dia, então porque ficar perdendo o seu tempo precioso com eles?

 

Então é por isso que eu digo: Você pode ser feliz com a Diabetes!